Primeiras experiências amorosas.



Segundo a psicanálise, as primeiras experiências amorosas são determinantes. Eu lembro claramente das minhas...

Este na foto ao lado foi meu primeiro namoradinho, o Chiquinho. Por influência dos adultos, ou enamoramento nosso, eu o Chiquinho, que éramos vizinhos, namoramos por um longo período.

O Chiquinho era um bom partido, apesar de não ter profissão, era gentil e simpático.

O irmão do Chiquinho namorava a minha irmã. A área de serviço da casa deles era de frente para nossa área. No verão tomávamos banho de tanque, nós duas no tanque de cá e os dois no tanque de lá.

Sorriamos, conversávamos, namorávamos a distância, cada um no seu tanque. Fui feliz com o Chiquinho e aprendi com ele uma lição básica, a distância é essencial para a saúde da relação.

Depois do Chiquinho veio o Márcio, também vizinho. Nosso romance não durou muito, tínhamos 5 anos. Um dia, enquanto brincávamos de esconder, o Márcio me perguntou:

_Tu toma mamadeira?

_Sim,respondi.

_Então não quero mais namorar contigo.

_Tá bom.

Assim, simples e fácil! O Márcio me ensinou que ser direto e franco quando alguém não preenche nossas expectativas facilita muito e torna os rompimentos bem menos traumáticos.

Eu preferi a mamadeira ao Márcio, ele não era culpado por isso, eu não era culpada, talvez a mamadeira fosse a culpada, mas o importante é que não culpei o Márcio por não me querer, sem drama, sem culpas, simples como uma mamazinho.

Depois do Chiquinho e do Márcio, é verdade que as coisas foram ficando menos simples. Aprendemos a complicar o simples na medida que crescemos, e a isso chamam maturidade.

Passei a fazer coisas estranhas, dizer o contrário do que queria e me comportar de forma contraditória,obrigando o sujeito a adivinhar meu desejo.

No jardim de infância brincávamos de pega-pega, descobri nesta época quão boa estrategista eu sou, quando tudo parece perdido eu encontro uma saída. Bom, no pega-pega, lembro bem, veio um menino de cada lado e eu estava embaixo do escorregador, eles vieram correndo, sorrindo perversamente com cara de já ganhei. Eu? Escapei rapidamente por baixo da estrutura! Eles acharam que ia ser fácil me pegar? De jeito nenhum. E o que aconteceu? Foram pegar as meninas mais fáceis e a esperta aqui ficou a ver navios...

Cresci, compliquei mais as coisas e, de tanto escapar, me tornei praticamente uma analfabeta emocional. Se hoje, intelectualmente estou a caminho do doutorado, emocionalmente não cheguei ainda ao ensino médio.

Mas sou uma aluna aplicada e resolvi resgatar as lições que aprendi com o Chiquinho e com o Márcio do meu baú de memórias afetivas. Como mulher e como terapeuta está é uma tarefa de que não posso me furtar.

A distância é sagrada, e não estou falando de distância física apenas, estou falando de espaço, individualidade. Cada um no seu quadrado. Isso mantêm o respeito, permite a gentileza e alimenta o erotismo.

Quanto a ser direta...isso passa pelo processo de autoconhecimento. Quando sabemos o que queremos, quando não esperamos que o outro nos salve de nossas culpas, nossas carências e de nosso vazio, as coisas tendem a ficar mais fáceis. É simples, porque se estamos mais tranquilos com isso, também não entraremos na furada de salvar ninguém. Cada um que se vire com o que é seu, o que não significa dizer que não apoiaremos o outro nos seus momentos de dor e angústia, quer dizer apenas, que não teremos a pretensão de salvá-lo.

O que você quer com o outro? E o que o outro pode te oferecer?

Relacionamento sério? Amorizade? Sexo? Colinho? Fantasia? Suporte?Derivados?

Se o que você quer fechar com o que o sujeito pode, então vai, se não troca de Chiquinho.Só não espere encontrar tudo isso com o mesmo sujeito. Não se iluda.

Desta forma, a distância imposta pelo tanque, se mantem naturalmente.

E por fim, não fuja quando quer ficar, diga o que você quer dizer, não faça o pobre mortal adivinhar o que você está pensando ou sentindo, provavelmente nem ele sabe o que está sentindo (lembre-se os homens são mais lentos nesse ponto).Espante a culpa, libere o corpo - Áh me empolguei agora- cante, conecte-se ao SEU desejo e beije, beije, beije.

E quando a coisa apertar, busque uma mamadeira ou tome um banho de tanque!

E beijos para o Chiquinho e para o Márcio, obrigada meninos.

P:S E meninos, azar o de vocês, não sabem o que perderam!

Comentários

  1. Que delícia de texto cheio de molejo!!!! Adorei, ADOREEEEIII!!! Bj bj

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  2. Sugestoes:

    1) REITERE a postagem desse texto periodicamente para que desavisados possam LER ele.

    2) (opcional) ENCERRE as atividades do blog AQUI e cuide apenas da manutencao do site no ar para que esse texto fique sendo acessado para sempre.

    *melhor escrito sobre o tema ja visto*

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  3. Nossaaaa, viajei no tempo com teu texto.....adorei mesmo....parabénsss...bjãooo

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  4. Naira de Lima e Silva1 de junho de 2009 00:07

    Adorei o texto...Parabens pela forma tão simples de externar coisas tão complexas.
    Naira de Lima e Silva

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  5. Ei, obrigada!!!!

    Agora o Gabriel me deixou em dúvida, bloqueou minha criatividade,acho que vou encerrar as atividades do Blog!!!

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  6. Afogue o Gabriel num tanque e continue... pra sempre! rsrsrs

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  7. O Gabriel não cabe no tanque, tentarei uma psicina, rsrsrs...
    Certo vou continuar!

    Beijos!!

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  8. Muito bom mesmo Andréia!!!
    Vc tem um texto delicioso de ler, passa o recado com muita inteligencia e bom humor! Vai ser uma escritora ainda muito conhecida. Aliás, sou um homem de sorte por ter tido a oportunidade de ter convivido com mulheres que se tornaram grandes escritoras, hehe! Martha Medeiros, Claúdia Tajes (que foi minha estágiaria), entre outras. Agora eu aposto minhas fichas em vc...ah, e em minha filha a Francine que está secrevendo mto bem tbm. Parabéns e mto sucesso sempre!!! Chico Quevedo

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  9. Certa vez alguém me disse..."Não tens mais nada a ensinar as tuas filhas,pois são elas que tem muito a te dizer.Podes muito a aprender com elas."
    Pois relendo essa história,que acompnhei com "olhos de mãe",aprendi um pouco mais sobre os mistérios do amor e da paixão.Vou pensar ,no simples e no complexo das relações e na nossa capacidade de "inverter as coisas" ,complicando o simples e banalizando o complexo.Você é genial,minha loira(falando a mulher e não a mãe).Obrigada garota.....

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