Mulherzinha???









Está tudo aqui, um longo casamento, três filhos mais que amados, uma ótima empregada doméstica, de fazer inveja a vizinhança, casa decoradinha, carro desenhado para mães-mulheres-moderna, boa sogra, faculdade perfeita, trabalho que amo...
Nos ensinaram que isso era mais do que suficiente. Mas não é, não pra mim pelo menos.
Há sempre algo que falta...

Tenho amigas que roubariam para ter essas coisas. Maridinho, filhinho,casinha,empreguinho.
E não estou menosprezando isso tudo, que é muito e eu amo. Mas não basta.
Tenho uma amiga que se sentia muito infeliz por ser a única solteira da família (não percebia nos casados a mesma inveja por sua condição). Estava determinada a casar. Casou 4 meses depois de conhecer alguém. Essa era a grande meta da vida dela.

Eu sonhei que lhe apedrejava no dia do casamento. Só isso te basta??

Chá de fralda, chá de panela, reunião de mães na escola...aiaiaiai...
Momento bem mulherzinha, chega a me dar alergia!
Ser mãe, amamentar, cheirar bebê. Amo.
Arrumar casa, fazer comidinhas, ,,... Não gosto.
Eu,quando tive que fazer "trabalhos domésticos", fiz, quando precisei cozinhar,também, mas odeio!
Esses dias um amigo perguntou:
_Como é que tu conseguiu casar? Nem cozinhar tu sabe...
_Tenho outros dotes fulano, vários outros, tenho mestrado por exemplo.
O mundo é machista e preconceituoso. O casamento e a maternidade limitam a liberdade feminina. A dos homens também, mas de forma diferente.
Nós temos que administrar nosso desejo de liberdade e as necessidades físicas e emocionais de nossas crianças.
Os sutias foram queimados, mas a culpa permanece.
Temos também limitações físicas, que dependendo do contexto são deliciosas...
Mas, por exemplo, fica difícil participar de um protesto se estamos morrendo de medo que no confronto explodam nosso silicone, o que chova no meio da passeata e nossa chapinha vá para o bebeleu, junto com nossa maquiagem (nada mais fútil e mulherzinha que este parágrafo).
Quando fui para Itajaí,sozinha, sem conhecer ninguém, estava emocionada por estar trabalhando em uma situação de calamidade pública e passar as tardes no quartel, andar de viatura, etc, quando estava saindo,meu amigo Coronel disse:
_ Andréa, cuidado, esse tipo de situação pode ser perigosa para uma mulher sozinha.
Ai, pensei "Nossa é verdade, uma mulher sozinha..."
Mas estava indo como uma pessoa sozinha. Ai que saco.
O único inconveniente foi não poder usar salto.
Esses tempos me disseram que penso como um homem. Até agora não consegui formar uma opinião sobre essa fala.
Mas isso tudo é o de menos.
Já estou acostumada a ir ao cinema sozinha assistir filmes de guerra.
É engraçado, lembro desta percepção no filme "Falcão Negro em Perigo". Só tinha eu de mulher, o resto da turma eram todos homens, velhos.
Fui uma mulher realizada na minha vida passada. Quando fui membro da Resistência Francesa, lutei muito contra os Nazistas (esse trecho só entende quem conhece meus momentos esquizos).
Talvez seja culpa de meu pai. Depois da minha mana meu pai queria um menino. O Marcelo.
Estou eu aqui, "Andréa Marcelo Atena".
É talvez seja isso...mas não importa.

Comentários

  1. Eu acho que as "mulheres" cairam numa bruta de uma ARMADILHA, desde a queima dos soutiens ate o Sex and the City: olhe uma revista "Nova" e/ou "Claudia" dessas da vida (essas que "representam" as mulheres "modernas" e "bem resolvidas"... Fala-se apenas em "orgasmo", "dicas para apimentar o casamento", "manual do sexo casual com estranhos em cruzeiros pelas Antilhas em 10 topicos"...

    Como se a "liberdade" da mulher fosse conquistada apenas invertendo (alguns) dogmas machistas (como o sexismo), o que na verdade apenas os enfatiza, na minha opiniao.

    PS: adorei a parte do "mulher" x "pessoa" em SC!

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  2. Em tempo: a palavra-verificador que o teu sistema decomentarios pediu para eu digitar para postar o comentario anterior foi "OPHODGE"

    ...

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