CAIO FERNANDO ABREU

"Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. ...."

"Alguma coisa em mim-e pode-se chamar isso de "amadurecimento" ou "encaretamento" ou até mesmo "desilusão" ou "emburrecimento"-simplesmente andou, entendeu?Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho (ou sapatão) que perdi nas escadarias.Não sinto mais impulsos amorosos.Posso sentir impulsos afetivos, ou eróticos- mas amorosos, sinceramente, há muito tempo.É estranho, e não me parece falso, mas ao contrário: normal.Era assim que deveria ter sido desde sempre.E não se trata de evitar a dor, é que esse tipo de dor é inútil, é burra, é apego à matéria."

"Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez,as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, maisindefinido -e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero."

"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."

Comentários

  1. Andrea... vida longa e linda ao teu blog!!!
    Linkei ao meu, ok!?
    Bj

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