quinta-feira, 12 de julho de 2018

Sol de inverno.



Sempre quis pouco da vida.
Meus filhos, meus livros,
Um amor, um canto, um pouso, refúgio.
A presença de amigos leais
Manter sempre acesa a chama
da curiosidade sobre a vida
O encantamento pelas profundezas da alma
A força necessária para os enfrentamentos do caminho.
Não falo em felicidade, falo em plenitude
Para mim é por ai o caminho
O simples, o singelo e o essencial exigem disposição, sensibilidade, autocrítica e uma.permanente capacidade de luta.
Estimo estar conseguindo.
Andréa Beheregaray.
Sol de inverno, seu silêncio e um pouco mais.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Ela




Passei a precisar.
Após sua chegada mudei o jeito de andar,
trago um sorriso mais largo no rosto
e um novo brilho no olhar.

Também deixei de comer e tenho dormido pouco.
Se por fora tenho estado mais frágil
por dentro sou solidez e amor.

A simples imagem do seu sorriso
me alimenta por dias,
o calor do seus carinhos me aquece nas noites
em que ela não está ao meu lado.

De tudo o que permanece,
enquanto o encontro não vem,
a única coisa que não resolvo
é esse aperto no peito
que me provoca enorme falta de ar.

É que passei a precisar do cheiro dela para respirar. 
Andréa Beheregaray

Amar se aprende amando.




Amar se aprende amando. Pena que para isso nosso coração seja machucado tantas vezes. Pena que para isso a gente acabe também machucando o coração dos outros.
Mas não temos escapatória, amar é uma aposta. É preciso pagar o preço, ou ficar no vazio. Viver é isso, tentativa e erro, tentativa e acerto. Até que a gente pegue o jeito e insista, repita e não desista e aprenda a transformar erros em experiência, experiência em acerto, acerto em amor.
Amor também é experiência, e nada nos protegerá da dor das experiências e apenas pela experiência poderemos triunfar sobre a dor e aprender a viver sem boicotes os prazeres do amor. Quem não se arriscar muitas vezes, ficará apenas com o gosto morno das relações insatisfatórias. Porque não tem jeito, amar se aprende amando. Isso é viver.
Andréa Beheregaray

sábado, 7 de julho de 2018

Inverno das àguas



Acompanho os movimentos do tempo, rodopio veloz na escuridão.
Deságua em mim a força das tempestades.
Já mergulhei no vazio e aprendi a levantar.
Incorporei destruições.
O frio da solidão corta, mas não quebra.
Não temo a rota dos ventos, sei ser.
Me reinvento.
Eu também sou o escuro da noite.
Andréa Beheregaray.
Inverno das águas e tempestades.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Separação



.Que partir seja evolução e não destruição: sobre separações.
É verdade que as separações são inevitáveis e que teremos que enfrentá-las muitas vezes na vida . Mas existem muitas formas de partir e nem tudo deveria ser destruição. É preciso aprender a ir embora. E se é verdade que nos recuperamos dos finais cada vez mais rápido, porque já descobrimos que sobrevivemos e que, tudo cedo ou tarde passa, é verdade também que as separações são sempre dolorosas e que ninguém se separa amando ou super bem.
No entanto é necessário aprender a lidar com as separações é com menos danos, amar com mais intensidade e menos enganos, permanecer o mínimo possível naquilo que não faz bem e descobrir a hora certa de ir embora antes de corroer definitivamente os laços.
É aprendizado, que as pontes não sejam destruídas e que os afetos possam ser transformados, mesmo que o outro não esteja mais. Que o bem que um dia aquele amor nos fez nos possa permanecer pairando sobre todos os motivos que nos levaram a partir. Que nossas memórias mais bonitas não se dissolvam num mar de mágoas, tristeza e rancor.
Acho que maturidade é isso, não destruir os laços que nos fizeram avançar, nem evitar alguém que um dia se mostrou amor. Porque precisamos aprender a partir, partiremos muitas vezes ainda, que seja o mais inteiro possível.
Andréa Beheregaray
Psicóloga RS.

domingo, 3 de junho de 2018

Tinha uma pedra sobre a caixa de recordações.






Guardo tudo. Cartas, e-mails, mensagens, sms, papéis, recuerdos, imagens, fotografias. Guardo tudo, entende? Eu guardo, mas não mexo. E, às vezes, passado um tempo, que pode ser um ano ou dez, pouco importa, eu esbarro nessas recordações intencionalmente ou por acidente. Recordações cuidadosamente esquecidas. O dia então se eleva silencioso e quente sobre a minha cabeça. O tempo suspenso é invadido por sentimentos e sensações desconhecidas, há muito descoladas de suas imagens originais.

Lentas, às palavras guardadas vão tocando a pele. Vou manejando a faca, revirando às palavras, enfrentando as linhas trocadas. Dando novos sentidos, agora, tanto tempo depois. Às imagens são um choque, ou não. O passado é um mar revolto, inundado de vida. Adentro cuidadosa, vou testando os limites. A memória é seletiva, caprichosa, bem elege o que se deve esquecer.  

Guardo tudo, por que às vezes, é preciso enfiar a faca na ferida para saber se ainda sangra. Guardo para não deixar que o mar engula fragmentos desconhecidos. Guardo para aprender a ver com outros olhos. Guardo para confrontar-me. Guardo por que aquilo também sou eu. Guardo como parte da estrutura. Do que me funda. Da mulher que sou. Guardo por que aquilo também sou eu. Guardo por que é preciso.

                                               Andréa Beheregaray      

sábado, 2 de junho de 2018

Casal sem futuro




O relacionamento dos dois nasceu condenado, fadado ao fracasso. Impedimentos, distâncias, impossibilidades internas, externas. Tinha dias que tudo isso parecia tanto, já em outros esse tanto não parecia fazer sentido algum. O fato é que não era possível criar expectativas ou ter esperança – Como se vive sem isso?! - Pensavam sem querer pensar muito no assunto. As coisas entre eles eram assim, estavam impedidas de crescer, apesar de crescerem. ‘Relacionamento sem futuro’ ficou decretado, não sem lutas ou discordâncias, mas desejo não é coisa de se querer por dois. E tudo isso que parecia ser seco, real e áspero e que afinal era, não impediam que estivessem próximos ou pensassem um no outro. Ausência presente, ausência permanente, solidão de dormir abraçada. Condenados que estavam, eram livres pra falar o que sentiam e assim não sentir demais. Não havia o medo da perda, já estavam perdidos, condenados a clareza de terem encontrado algo importante e ainda assim ser preciso partir.
Sabiam que dariam certo se não fosse tudo o que era. Sabiam que se tudo o que era não fosse de fato, seriam muito felizes juntos. Duas horas deles equivaliam a um mês inteiro de outro casal qualquer. Quanto tempo demorou para perceberem que fariam uma ótima dupla? Não só por fora, mas por dentro também? Daqueles casais que crescem juntos, se incentivam, trocam, e admiram um ao outro? Daqueles casais que instigam a mente um do outro a ser mais? Um colorindo a criatividade do outro à ir além? Um sendo o amor do outro para dar sentido a todo resto que sem amor não vale nada?  Desconfio que demoraram muito pouco para perceberem. Entre eles a coisa tudo fluía sem jogos ou entraves, o riso era fácil, o beijo era bom, a cama uma delícia, daquelas onde o desejo amanhece aceso e a memória gosta de relembrar. A conversa daquele casal, que não seriam dois juntos, apenas separados, era rica e não terminava nunca, pedra de toque, ponto de ligação. Dobravam o dia e as horas pendurados ao telefone, à moda antiga, trocando impressões, contando novidades, amenidades, planos, projetos, temores, de antigos amores talvez presentes ainda, de vez em quando até cantavam, faziam poesia, escovavam os dentes entre uma frase e outra, discutiam  a relação que não tinham, ou que tinham, mas não podiam ter. Acumulavam horas e horas de alegria compartilhada e confidências trocadas. Justo ela que não gostava de falar ao telefone. Justo ele sempre tão pé no chão. Houve uma vez em que ele dirigiu três horas ao telefone contando à ela sobre tudo o que tinha feito, o mundo que tinha visto, a saudade que sentia das coisas que planejava viver. Na outra ela arrumou a casa, lavou o pátio inteiro, colocou tudo em ordem enquanto segurava a mangueira numa mão e o telefone na outra só para não interromper a conversa, as horas escorriam e ela pensava que era bom ter encontrado alguém como ele, alguém que parecia se importar de verdade, que tinha os olhos claros, cheios de segurança, solidez e amor.  
Esses casal que se sabia sem futuro algum, que não podia crescer ou ter esperança, teciam uma história feita de admiração, respeito, e afeto. Esses dois cheios de planos irrealizáveis, de amor desperdiçado e sonhos pela metade eram o casal fracassado mais bonito que ela conhecia. Mas ela sabia e ele também, que de alguma forma, essa dupla sem possibilidades já havia dado certo. Do casal sem futuro, esse foi o presente, a certeza de que terem se conhecido foi sorte, loteria e isso já fazia tudo valer à pena.  

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Além do bem e do Mal.








Olho para você
e nosso amor
estrada de folhas de outono
caídas no chão
nosso amor silencioso e nobre

É engraçado como ainda hoje
não conseguimos ficar lado a lado.

Nunca conseguimos nos tornar amigos,
não é mesmo?

Eu sinto tanto calor ao teu lado
e ele queima meu rosto
e minhas mãos ansiosas

E você, sempre tão inteligente
não diz nada que preste
tem tanta graça, ver-te assim
tão sem graça.
*
Tem sempre tanto
silêncio entre nós dois
tanta imensidão
@
Você me disse
que escolheria uma canção
para traduzir
o que sou
dentro de você.

Eu te disse
que você foi a única exceção, 
o amor que valeu
*
Com amor, 
Tua.


Andréa Beheregaray